Ato das Associações Docentes em apoio à Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação

dilma-ufabcNa segunda, dia 18 de julho, com a presença da presidenta Dilma Rousseff, foi realizado no campus de São Bernardo da UFABC um ato em defesa da Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação. Organizado pela ADUFABC, o ato contou com a participação da Associação Docente da UFRJ (ADUFRJ), da Associação Docente da Unifesp (ADUNIFESP) e do Sindicato dos Professores do ABC (Sinpro). Leia a seguir o discurso de abertura proferido pela presidenta da ADUFABC, Profª Maria Caramez Carlotto.

“Este ato foi convocado para defender a educação, a ciência, a tecnologia e a inovação, em parceria com a Associação docente da UFRJ, a Associação Docente da UNIFESP, e o Sindicato dos professores do ABC.
O Brasil que desejamos, o Brasil pelo qual lutamos, um país com democracia, com bem estar social, um país soberano, integrado à América Latina e protagonista da construção de uma nova ordem mundial, este Brasil é irrealizável sem educação, ciência, tecnologia e inovação.
A UFABC, criada há exatos 10 anos, é parte do esforço feito neste sentido por amplos setores da sociedade brasileira, esforço que se materializou parcialmente no governo federal desde 2013.
A criação da UFABC é parte, especificamente, do esforço feito nos últimos 13 anos para a expansão do ensino superior público sobre novas bases.
A ênfase em áreas de ponta era parte do esforço por ampliar a capacidade tecnológica do país num mundo onde o conhecimento torna-se cada vez mais central para a produtividade.
Mas ao mesmo tempo, buscou-se a interdisciplinaridade e o diálogo com as ciências sociais e a comunidade, evitando o viés tecnocrático que tanto mal causou a este país.
As cotas, em especial as cotas raciais, visavam romper com o caráter elitista do ensino superior público até então.
E a contratação de docentes com doutorado constituiu a marca de um projeto de ensino superior que visava unir inclusão e excelência, vistas muitas vezes como excludentes.
Entretanto, ao mesmo tempo que é resultado direto de políticas inovadoras de educação, ciência, tecnologia e inovação desenvolvidas ao longo dos governos Lula e Dilma, a UFABC também viveu e segue vivendo os limites e as contradições experimentadas por estes governos.
Por exemplo cito:
– a ênfase em pesquisa de ponta precisava sempre de mais investimentos e de mais autonomia;
– as cotas, para resultar efetivamente em democratização, carecia de mais recursos para permanência estudantil;
– a excelência do corpo docente esbarra na ameaça dos salários baixos e num novo plano de carreira, resultado da nossa derrota na greve de 2012;
-e, de maneira mais geral, o desenvolvimento esboçado em linhas tênues ao longo destes anos continuou convivendo com profundas desigualdades sociais, com uma democracia cheia de limites e distorções, com juros escorchantes. com impostos que não recaem sobre os mais ricos, com uma ditadura da mídia oligopolista e com o crescimento do setor privado, inclusive estrangeiro, no terreno da educação.
Por isto, presidenta Dilma Rousseff, devido a estas contradições, estou seguro que a senhora sabe que muitos dos que aqui estamos fomos ao mesmo tempo eleitores e críticos das gestões Lula e Dilma.
E por isto, sem ironia alguma, em nome da gestão que represento, quero dizer que não gostaríamos de estar aqui neste auditório hoje, organizando este ato.
Para nós, da ADUFABC, como para todo o movimento social e sindical comprometido com o avanço da democracia e da igualdade, o ideal seria estarmos, neste momento, nos organizando para pressionar o seu governo, presidenta, legitimamente escolhida por 54 milhões e meio de eleitores, para que ele concedesse ao povo brasileiro mais direitos, para que ele aprofundasse as políticas e projetos sociais que vinham
sendo desenvolvidos, para que ele ampliasse a nossa soberania nacional e radicalizasse o projeto de educação, ciência, tecnologia e inovação que desejamos.
Mas quis a falta de compromisso da elite brasileira com a democracia que não fosse assim e aqui estamos,
hoje, com toda a segurança e convicção, defendendo o seu mandato, presidenta, um mandato que representa não só os 54 milhões e meio de eleitores que a elegeram, mas todos os 143 milhões de eleitores que compareceram às urnas em 2014, inclusive daqueles que foram às ruas pedindo o impeachment e que hoje se dão conta do caráter social e politicamente reacionário, eticamente corrupto, além de machista, racista é
homofóbico do governo resultado do golpe parlamentar e judicial ocorrido em abril e maio deste ano.
Assim, se é uma honra enorme para mim poder estar aqui, sentada ao seu lado presidenta, particularmente pelo que — permita-me a intimidade– a companheira representa para todas as mulheres brasileiras,
sou obrigada a dizer que a minha vontade mesmo era poder estar sentada à sua frente, de preferência numa
mesa de negociação. Ao lado de todos os brasileiros e brasileiras que lutam pela democracia, pela justiça
social e pela soberania nacional, a ADUFABC está empenhada na luta contra o golpe parlamentar em curso no país, assim como na defesa de políticas de educação, ciência, tecnologia e inovação sem as quais o futuro do Brasil estará ameaçado.
O Brasil vive um momento delicado e crucial de sua história, o que obriga todos nós, cidadãos e cidadãs comprometidas com a democracia e a redução de desigualdades, a se organizar para resistir aos ataques que se sucedem.

Entre estes ataques destaco aqueles que nos afetam diretamente, com retrocessos nas políticas de educação, ciência, tecnologia e inovação, às cotas e à liberdade de pensamento, por exemplo a infame proposta de uma “escola sem partido”, que na verdade
é uma proposta de escola sem pensamento crítico e sem diversidade.
Neste momento marcado por tantas ameaças, ver este auditório lotado, ter ao nosso lado essas Associações Docentes tão importantes como a ADUFRJ e a ADUNIFESP, e um sindicato como o Sindicato dos Professores do ABC, e poder contar com a
presença da presidenta eleita Dilma Rousseff, representa para nós a certeza de que a luta será longa e difícil, mas que venceremos.
Sobre isto, não há o que “temer”. Sejam mais uma vez bem–vindos todos e todas e vamos agora ouvir nossos convidados e em seguida a presidenta Dilma Rousseff.”

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