Boletin INFO n° 33 março 2021

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Editorial
Neste mês de março completa-se um ano da suspensão das atividades presenciais na UFABC. Desde então, a comunidade tem se esforçado para se manter atuante em seus diferentes campos de intervenção: ensino, pesquisa, extensão, orientação e administração universitária. Fizemos isso em condições muito adversas e sob constante tensão, perda e sofrimento, em grande parte evitáveis não fosse a política de morte do governo federal com seu inaceitável boicote às medidas sanitárias, econômicas e à vacinação da população.

Passados esses 12 meses, com algumas poucas exceções – o pessoal envolvido em pesquisas sobre a Covid-19 e em serviços acadêmicos essenciais, por exemplo –, somos parte da pequena parcela de trabalhadores/as que seguiu o isolamento físico, uma conquista diante das sucessivas tentativas de imposição de um retorno precipitado às atividades presenciais nas universidades, como foi o caso da Portaria MEC 1.030, de 1º de dezembro de 2020, que dispunha sobre o retorno às aulas presenciais a partir de janeiro de 2021 nas instituições de educação superior integrantes do sistema federal e que foi modificada após intensa resistência de instituições e sindicatos. Conquista que se dilui, contudo, no catastrófico cenário de falta de leitos hospitalares, de vacinas e de auxílio econômico à população.

Nem sequer nesses meses de trabalho redobrado e de enormes dificuldades os serviços públicos de saúde, educação, assistência, segurança pública e tantos outros se viram poupados de ataques destrutivos. Em âmbito federal, prolifera a violação à autonomia universitária, pela imposição de dirigentes não escolhidos pelas respectivas comunidades acadêmicas e pela constante ameaça e prática de censura; avança a reforma administrativa no Congresso Nacional, que pretende acabar com a estabilidade no serviço público e precarizar os vínculos trabalhistas; e se promulga a Emenda Constitucional 109/2021, que, na prática, combinada à igualmente nefasta EC 95/2016, terá como efeito a redução da remuneração dos servidores públicos federais por 15 anos, caso tais medidas não sejam revertidas.

É nesse quadro de grande preocupação sobre as condições sanitárias, econômicas, sociais e educacionais no país que a Associação dos Docentes da UFABC – ADUFABC, atendendo a um pedido de seus/suas filiados/as e por iniciativa do GT Político-Pedagógico constituído em assembleia, publica mais este Boletim Especial: Ensino Remoto e Condições do Trabalho Docente na UFABC. O objetivo do Boletim é colaborar para a documentação da experiência do ensino remoto na UFABC, entender os seus efeitos de médio prazo (para nós e para nossos/as estudantes) e extrair subsídios para a nossa ação coletiva no próximo período, que se apresenta tanto ou mais desafiador do que o ano de 2020, devido ao necessário prolongamento do ensino remoto e ao provável aprofundamento de suas consequências negativas.
Entendemos que o relato detalhado de nossas experiências de trabalho é a única forma de conhecermos problemas não descritos nas avaliações institucionais e, com isso, de seguirmos contribuindo institucionalmente com o debate político-pedagógico e sobre as condições de trabalho relacionadas ao ensino remoto na UFABC.

Em dezembro último, com propósitos similares, lançamos o Boletim n. 31 (nov./dez. 2020), uma edição especial com textos inteiramente dedicados ao debate sobre o ensino remoto na UFABC, resultado de uma chamada pública aberta aos/às docentes para que apresentassem suas análises, visões e proposições decorrentes de parte da experiência vivida em 2020.

No mesmo período, convidamos os/as docentes a responderem a uma pesquisa sobre aspectos político-pedagógicos e de condições de trabalho durante a pandemia. Apesar da exaustão e da sobrecarga – que a própria pesquisa veio a documentar –, alcançamos um bom número de respondentes: foram 66 participações, resultando em um corpus com mais de 35 mil palavras, além de um grande conjunto de respostas objetivas.

O resultado parcial da análise do material coletado vem a público neste Boletim Especial, que esperamos seja lido, criticado e disseminado como aquilo que é: um recorte relevante sobre como a nossa comunidade docente viveu o ano acadêmico de 2020 – com aprendizados, críticas, proposições, incompreensões, revolta, etc. Consideramos o resultado parcial porque o material coletado na pesquisa segue aberto a novas análises.

Para a composição deste Boletim Especial, com a organização do material e produção de textos analíticos sobre diferentes aspectos coletados, foi essencial o envolvimento voluntário dos/as colegas Andrea Santos Baca, Cláudia Regina Vieira, Fernando Cássio, Marco Antonio Bueno Filho, Salomão Ximenes, Valéria Lopes Ribeiro e Valter Pomar, a quem agradecemos imensamente. Além desses/as, também agradecemos às colegas que participaram do GT Político-Pedagógico: Danusa Munford, Luciana Palharini, Marilia Pisani e Patrícia Pereira; e, claro, aos/às colegas que generosamente dedicaram parte de seu tempo para responder o questionário. Uma boa leitura a todos/as!

Diretoria Executiva da ADUFABC
Gestão “Fortalecer, Incluir e Democratizar” (2020–2022)

 

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