Balanço da assembleia do dia 9 de agosto, próximos passos e conjuntura

Entrevista com a presidenta da ADUFABC, Profª Maria Caramez Carlotto.

INFO. quais foram os temas tratados na Assembleia que a AD fez dia 9 de agosto?

Maria Carlotto – A assembleia tinha como pauta “os cenários da educação brasileira e impactos sobre a carreira docente”. Para organizar e subsidiar uma discussão tão ampla, dividimos a assembleia em duas partes. Na primeira, tivemos três excelentes apresentações, que seguem sintetizadas no presente boletim, sobre a projeção em educação no país e sobre a situação da carreira docente na UFABC a partir das recentes deliberações do Consuni a respeito das normas de progressão e promoção. A partir desse panorama geral, abrimos a discussão entre os docentes sobre o que a ADUFABC deve fazer para sensibilizar e mobilizar os professores pela defesa da universidade pública, e das políticas de educação, ciência, tecnologia e inovação.

INFO. as palestras dos professores Salomão, Caputi e Luiz apontam para um cenário de dificuldades?

Na verdade, os dados apresentados apontam para um cenário quase catastrófico. A projeção feita pelo professor Salomão Ximenes, caso a PEC 241 seja aprovada, deixa claro que a nossa prioridade absoluta, na universidade pública, deve ser lutar contra a aprovação dessa Emenda Constitucional que representa, na prática, a destruição do pacto social firmado na Constituição de 1988. O congelamento dos gastos, inclusive em saúde e educação, para os próximos 20 anos significará, na prática, o sucateamento da universidade pública, a redução drástica dos repasses federais para o ensino fundamental e médio e a destruição das políticas não estaduais de ciência, tecnologia e inovação. Nesse processo, fica claro que um dos resultados mais imediatos será a precarização da carreira docente, sobretudo nos níveis iniciais (adjunto A e adjunto). Não por acaso, nos próximos 4 anos, se nada mudar, teremos reajustes salariais abaixo da inflação o que, na prática, significa perdas salariais.

INFO. que deliberações a Assembleia adotou frente a isto?

Em primeiro lugar, decidimos que a AD deve liderar um ciclo de conversas entre professores sobre temas urgentes, levantados pela própria assembleia, dentre os quais: ameaças à autonomia universitária, ameaças à pesquisa no cenário atual, a importância do ensino superior público, gratuito e com promoção do acesso, os 10 anos da UFABC, o orçamento da UFABC para 2017 e o movimento docente em âmbito nacional. A primeira dessas conversas acontecerá na quarta-feira, dia 31 de agosto, às 16hs, na cobertura do bloco B em Santo André, tendo como tema os cortes no orçamento da UFABC para 2017, e contará com a presença do pró-reitor de planejamento, Vitor Marchetti.
Além de realizar essas conversas entre os professores, a assembleia decidiu que a ADUFABC convide outros coletivos e entidades de estudantes e funcionários da universidade para uma conversa aberta em que a gente formule conjuntamente um diagnóstico sobre os cenários da educação pública no país e discuta possíveis ações conjuntas para a defesa das políticas de educação, ciência, tecnologia e inovação. Essas conversas não substituem a discussão que segue aberta sobre a realização do I congresso docente da UFABC. Por fim, a assembleia decidiu que a ADUFABC deve procurar outras Associações Docentes do país para tentar articular ações conjuntas, pressionando o nosso sindicato nacional, o ANDES, para atuar de modo mais contundente contra o desmonte da educação pública que está no horizonte do país.

INFO. qual será a data e a pauta da próxima Assembleia?

A próxima Assembleia acontecerá no mês de setembro em Santo André. A pauta será: avaliação da conjuntura nacional pós-impeachment e a organização dos docentes da UFABC a partir daí.

INFO. uma última questão: a Assembleia ocorreu no dia nacional de mobilização pelo Fora Temer. Qual a relação entre a conjuntura educacional e a conjuntura nacional?

Muitos professores apontam, com razão, que os cortes em áreas sensíveis como saúde e educação começaram com o ajuste fiscal do segundo governo Dilma. No entanto, a leitura da assembleia e da gestão da ADUFABC é que o governo Temer, a partir do plano Meirelles, leva esse ajuste para um outro patamar. Na verdade, é até incorreto seguir usando o termo “ajuste fiscal”, porque o que está em jogo é uma reforma estrutural do Estado, que altera o texto constitucional, desconstruindo o conjunto de direitos sociais reconhecidos pela constituição de 1988. O ataque à responsabilidade do Estado em investir em saúde e educação é só o começo, porque está na pauta a reforma trabalhista e da previdência, bem como a aprovação da terceirização de atividades-fim que tem potencial de atingir diretamente a universidade e as demais instituições de ciência e tecnologia.

A luta a partir de agora será muito mais intensa do que foi nos últimos anos e será fundamental aumentar o diálogo com todos os professores e professoras da nossa universidade e fortalecer a nossa entidade, a ADUFABC.

É isso que nossa gestão tenta fazer.

Profª Maria Caramez Carlotto, presidenta da ADUFABC-ANDESSN

Profª Maria Caramez Carlotto, presidenta da ADUFABC-ANDESSN

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